A propaganda eleitoral para candidatos a um cargo público (vereador, prefeito, deputado estadual e federal, senador, governador e presidente) é um espaço que deveria se extremamente importante para a divulgação de projetos para o desenvolvimento sócio-econômico da cidade, estado ou país. Entretanto, o que vemos se repetir nas eleições de 2008 são propagandas defasadas de candidatos, que dizem apenas que pretendem fazer tal projeto, mas não explicam como fazê-lo, por exemplo: “Quanto vai custar esse projeto?”, “Onde tirar esse dinheiro?”, “Qual é o prazo de finalização desse projeto?”, e por aí vai.
Aqui na eleição para a Prefeitura de São Paulo, vemos Marta Suplicy, Paulo Maluf e Geraldo Alckmin fazerem promessas de desenvolvimento da área da saúde, segurança e educação, etc. Mas o que o público deve ter em mente é questionar a esses candidatos, o porquê desses setores da sociedade estarem ainda com sérios problemas de desenvolvimento, sendo que os três já ocuparam cargos públicos, para ao menos, atenuar esses problemas.
Vale lembrar que Paulo Maluf, responsável por tantos escândalos e da genial frase “Roubo, mas faço”, já foi prefeito da cidade de São Paulo entre os anos de 1993 a 1996, dando o cargo para o seu sucessor Celso Pitta, marcado por escândalos e mais escândalos, entre eles, o escândalo dos precatórios, que o fez com que a justiça o tirasse do poder, dando lugar a Raúl Régis (só voltando para encerrar o seu mandato com uma liminar). Os problemas sócio-econômicos tiveram uma evolução história no período de Maluf? Não me recordo. Aliás, pelo contrário, São Paulo caiu numa dívida profunda após o mandato dos dois.
Enquanto isso, Marta Suplicy assumiu a prefeitura de 2001 a 2004, também não se notou grande desenvolvimento em seu governo nas áreas que são pilares para o bem-estar social. Tanto é, que nem foi reeleita à prefeita nesse ano, dando lugar ao José Serra.
Já Geraldo Alckmin assumiu o governo do estado de São Paulo, após o falecimento de Mário Covas. Assumiu no dia 6 de março de 2001 e foi se elegeu a governador do estado de 2003 a 2006, saído em seguida, para disputar às eleições presidenciais. Numa entrevista ao jornalista Milton Jung, na rádio CBN, Alckmin disse, entre tantos assuntos, que a região do Grajaú é uma região que não tem uma grande ampliação hospitalar, educacional e outros problemas sociais, que resulta numa desigualdade entre as regiões paulistanas. Oras, a partir desse momento, eu me perguntei duas coisa:
1- “Alckmin não foi governador do estado por aproximadamente cinco anos? Então, por que tais problemas persistem?”.
2-“Será que ele está desvalorizando os mandatos de José Serra e Gilberto Kassab, que estiveram na prefeitura de São Paulo por quatro anos e ainda não atenuaram essa questão da desigualdade entre as regiões da cidade?”
Milton Jung percebeu essa contradição e perguntou a respeito, ao Alckmin, que por sua vez, preferiu se esquivar, dizendo que na região de Itaim Paulista e outras regiões houve inaugurações de hospitais e atacando outros governantes.
Isso que eu chamo de defasagem eleitoral. A falta de estrutura teórica das promessas políticas, para depois, termos certeza que é possível passá-las para a prática.
Além disso, essa questão ainda é a de menos. Os candidatos a vereadores são piores. A única coisa que eu vejo eles fazerem é distribuir panfletos para todo lugar da cidade, inclusive, sujando a própria (o quintal de minha casa vive sujo com esses panfletos). E tal propaganda se limita apenas a mostrar uma foto de um indivíduo sorrindo, o nome e o número dele em destaque. E só. Você não sabe o que ele pretende.
E além da falta de respeito na poluição da cidade, que também se abrange na poluição visual (vários banners distribuídos em Santo André e outras cidades), outro excesso da campanha eleitoral é marcado pelos carros com alto-falantes, passando com um som com elevado, a partir das oito ou dez da manhã e às vezes vai até as oito ou nove horas da noite. Eu considero isso uma falta de respeito, pois está obrigando a uma pessoa ouvir aquilo que não lhe foi autorização para invadir o seu espaço (ou seja, sua residência).
Portanto, como votar numa pessoa que não tem o significado de respeito com o povo, sujando a cidade e colaborando para a poluição audiovisual. E o pior que essa prática não tem data para acabar. Toda eleição é assim.
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